O mercado de trabalho possui grandes nomes LGBT+, como é o caso do CEO da Apple, Tim Cook, ou da vice-presidente da IBM Claudia Brind-Woody. Entretanto, no Brasil, a realidade é outra. Por conta do preconceito e da baixa empregabilidade LGBT+, 90% das pessoas trans precisam recorrer à prostituição para sobreviver, conforme artigo do G1.

Além disso, queria citar dados da pesquisa feita pela Santo Caos, consultoria de Gestão de Pessoas. Na pesquisa “Demitindo Preconceitos”, encontramos alguns resultados alarmantes:

  • 53% das pessoas LGBT+ entrevistadas não se revelam no seu trabalho ou o fazem apenas para algumas pessoas;
  • 40% dos entrevistados já sofreram algum tipo de discriminação motivada por sua orientação sexual.
  • 38% das empresas possuem restrições para a contratação de homossexuais; e
  • 60% das empresas não difundem o respeito à comunidade LGBT+.

Por que a empregabilidade LGBT+ é mais baixa?

Em primeiro lugar, em razão do preconceito, que é algo histórico como você pode conferir neste artigo. Dessa forma, as pessoas LGBT+ já possuem maior dificuldade em adquirir maior grau de instrução, o que impacta nas vagas a que pode se candidatar. Muitas vezes, sem contar com o apoio da família, os indivíduos LGBT+ acabam tendo dificuldade em manter os estudos e, quando conseguem, ainda precisam lidar com o preconceito no ambiente escolar ou acadêmico.

Por sua vez, o artigo da consultora Camila Couto revela que a LGBTfobia pode estar presente na própria fase de recrutamento. Dessa forma, se o profissional de RH encarregado da seleção tiver preconceito, ele vai encontrar qualquer desculpa para discriminar e eliminar qualquer candidato que não se encaixe nos padrões heteronormativos e cisgêneros.

Além disso, mesmo recrutado, o indivíduo LGBT+ pode enfrentar a discriminação no seu ambiente de trabalho. Segundo a jornalista Maira Reis, 61% desses profissionais precisam esconder sua orientação sexual no trabalho. Por isso, se a empresa não dispuser de um programa de diversidade efetivo, as piadas, assédios e ofensas vão fazer com nenhum LGBT+ consiga permanecer muito tempo na empresa.

O que as empresas podem fazer para mudar esse cenário?

Para fazer isso, a empresa precisa mudar a sua cultura organizacional, como a literatura de gestão de pessoas prefere falar. Dessa maneira, é necessário implementar políticas de valorização da diversidade, respeito e aceitação, lançando mão de oficinas e treinamentos para todos, além de ser desejável apoiar alguma ONG com foco na população LGBT+.

Se você quer ver alguns cases legais, podemos citar o da Pinacoteca de São Paulo. Nesse case, houve a contratação de seis pessoas trans do Programa Transcidadania. A matéria da prefeitura de São Paulo é datada de março de 2018 e você pode encontrar matérias mais recentes envolvendo esse grupo, um forte argumento no sentido de que a Pinacoteca realmente está apoiando a diversidade.

Case de empregabilidade LGBT+ na Pinacotca de SP
Um grupo de 6 pessoas trans foi contratado pela Pinacoteca de São Paulo. Créditos Prefeitura de São Paulo.

Como podemos concluir, a empregabilidade LGBT+ não está apenas associada a oferecer uma vaga de emprego. Pelo contrário, a questão é mais ampla e envolve um ambiente de diversidade e inclusão, onde todos possam desenvolver seu potencial sem qualquer discriminação, em condições de igualdade.

Algumas organizações para apoiar a empregabilidade LGBT+

Felizmente, existem alguns projetos super incríveis para estimular a empregabilidade LGBT+. Escolhi falar um pouco sobre a Camaleao e a TransEmpregos que são os mais conhecidos.

A Camaleão é uma startup fundada pela jornalista e ativista LGBT+ Maira Reis. O projeto atua como ponte entre talentos LGBT+ e empresas que estão em busca de diversidade na sua organização. Dessa maneira, a Camaleão tem um banco de talento e empresas parceiras a que oferece soluções voltadas à diversidade LGBT+.

Por sua vez, o TransEmpregos é o maior portal de vagas e currículos para pessoas trans do Brasil. Nesse portal, é possível cadastrar seu currículo e se conectar com grandes oportunidades de empresas como Itaú, Amaro, Hospital Albert Einstein, dentre outras.